13 de julho de 2012

A Maldição de Zé do Caixão

Foi muito premiado fora do Brasil com os filmes que são considerados Cult, considerado o grande cineasta brasileiro com sua trilogia.

(1963) À Meia-Noite Levarei Sua Alma
(1966) Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver


Nessa época estava sendo escrito e finalizado o roteiro do filme lançado só em 2008 A Encarnação do Demônio que fecharia a trilogia.
Mas, qual o motivo de tanta demora a lançar esse terceiro e ultimo filme com o personagem tão aclamado, Zé do Caixão?
José Mojica Marins explica que na ditadura que nascia nessa época (1964) sofreu muita censura e perseguição direta de suas fitas. Isso o obrigou a mudar os 30 últimos segundos do segundo filme, onde o personagem acabava se convertendo a pedido da direita católica e ele foi proibido de dizer aos fãs do por que da conversão – uma incoerência total – e se alguém falasse o motivo iria preso.
Porém, 42 anos depois o cineasta dá o troco mostrando que seu personagem não se converteu e, além disso, matou a todos que estavam ali, na cena que precisou ser mudada pela censura.
Como o roteiro teve que ser adaptado diversas vezes – motivos esses que ditarei logo –, o escritor juntou essas modificações e lançou um livro em quadrinhos contando sobre os 10 anos do Zé do Caixão no manicômio e 30 anos encarcerado, onde cometeu atrocidades.
Independente da ditadura, o atraso ocorreu por uma “maldição” que o perturbava, como em 79, onde havia um americano que ficou empolgado com o roteiro. Foi modificado todo o roteiro para adaptar para os anos 70. Mas esse homem era sozinho, não tinha sócio, e de repente ele pegou câncer na garganta e não deu outra, acabou morrendo.
Em 87, com um produtor espanhol que já havia trabalhado com ele. Modifico outra vez o roteiro, adaptou para o ano. Novamente a “praga” o rodeia e o produtor tem um problema cardíaco, faz ponte de safena, foi para o hospital e não voltou mais. Também não tinha sócio e ninguém no Brasil.
E desanimo assombra o Mojica, e lhe aparenta não poder mais terminar sua trilogia.




Eis que surge em 98 um brasileiro, Ivan Novais que fez Cidade Oculta, e mostrou ao roteirista sua fortuna dizendo “comigo não tem problema, essa fita sai”. Convidou os atores do Rio de Janeiro que já haviam trabalhado em suas fitas. Marcaram um almoço em Novembro de 99 e estava prometido adiantamento pra todo mundo. Mas hás 14 horas, quando o empolgado cineasta está saindo para o famoso almoço, ele recebe um telefonema:
– Mojica, você está indo pra onde?
– Tô indo pro almoço.
– Infelizmente Mojica, não tem almoço.
– Mas o que foi?
– É um velório. O homem morreu de emoção.
– PQP.



Porém, finalmente em 2000 fez amizade com um gaúcho que o indicou Paulo Sacramento, que gostaria de fazer o filme Encarnação do Demônio. Mas, por conta da “maldição” que sondava, ele perguntou:
– Paulo, você é casado?
– Sou.
– Você tem sócio?
– Tenho.
– São jovens?
– São.
– Então, beleza.

Ele faz mais uma readaptação do roteiro e sai o primeiro dinheiro em 2003, R$500.000,00, vindos do governador Geraldo Alckmin. Empolgado, o Mojica quer sair fazendo o filme já com esse dinheiro, mas o Paulo o converse a ir atrás de mais um milhão. No congresso, o presidente Lula e o ministro Gilberto Gil o presenteia com medalhão e um certificado pelo trabalho que fez no exterior, mas ele diz: “Olha, de homenagens eu já estou cheio. Orra, eu estou aí com um projeto de querer mais um milhão, pra ver se você me da uma mãozinha.” Um mês e meio depois ele vai para o Rio de Janeiro com o produtor Paulo Sacramento e conseguem mais um milhão.

E, no dia 08 do 08 de 2008 estreia em todo o pais
A Encarnação do Demônio



***A fixação por coisas bizarras surgiu…
"Tudo começou quando eu tive a sorte de morar no fundo de um cinema e aos quatro anos, eu só ouvia gritos e tudo mais, nunca tinha ido lá. E um dia, um cara me levou na cabine e quando abriiiiu eu vi uma vagina com gonorreia" - José Mojica Marins.



1 comentários:

Unknown disse...

Muito bom... eu sou muito fã desse cara, ele é conterrâneo do meu pai. Tenho uma prima que namorou o filho dele. Em 2002 encontrei ele no metrô Sé, cara, imagina uma tiéte frente a frente o seu idolo... eu tremia quenem vara verde... Cabe lembrar sempre, que muito antes de freedie kruger e jason, já exisitia zé do caixão...

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