Observamos alguns problemas de adequação do profissional de design a realidade do mercado e, em contrapartida, do mercado quanto a entender que tipo de profissional contratar. Esse problema se deve a falta de cultura de design, e a pulverização de profissionais do mais baixo nível operacional, que se prestam a resolver os pequenos problemas das empresas.
Pela ótica da gestão de pessoas, iremos encontrar três níveis de subordinação: o diretivo, o executivo e o operacional. Essas funções estão presentes em todas as empresas, em menor ou maior grau, mesmo no caso de um trabalhador autônomo que incorpora todos os níveis.
No nível operacional estão os que propriamente executam o trabalho. Aqueles cuja função é prioritariamente mecânica e relativa ao produto final.
O nível executivo é responsável pela implantação dos serviços. Neste caso, o profissional foca em maneiras de organizar o trabalho, torna-lo mais eficiente e, garantir sua qualidade.
E finalmente, o diretivo, que define os objetivos do trabalho, os recursos disponíveis e a quem esse trabalho se destina.
Dentro de empresas pequenas, essas funções são, em muitos casos, incorporadas pela mesma pessoa, mas, em empresas grandes, a hierarquia é muito segmentada, chegando ao ponto de o nível operacional não ter contato com o diretivo.
Trazendo para a realidade da comunicação corporativa, teremos três grandes carreiras acadêmicas que permitem a formação de profissionais de nossa área:
O design gráfico, a publicidade e as artes plásticas.
No nível operacional mais baixo, qualquer formação serve. Mesmo um curso livre de informática garante que o profissional saiba vetorizar um desenho, ou separar arquivos para impressão. Ele precisa meramente saber operar o programa e obedecer as regras da empresa.
Essas qualificações crescem. Mas sua variação não é significativa para exigir uma graduação específica, embora superior, se a empresa em questão não possuir um plano de carreira.
No nível executivo é que surge a exigência do conhecimento especifico.
Por mais que um publicitário saiba fazer uma peça bonita, ele não tem formação para geração de cultura. Por mais que um designer saiba fazer uma propaganda, ele não tem formação para adequação e segmentação de mercado. Por melhor que seja um artista plástico, ele não tem critérios objetivos, do ponto de vista mercadológico, para decidir o que produzir.
Então, o perfil executivo ainda é pluralizado. Todos sabem ver um pouco o lado do outro, mas já não conseguem garantir a eficácia destas opiniões.
No nível diretivo a especificação é total. Deve-se conhecer todo o processo, os processos concorrentes ao empregado e ainda critérios administrativos sólidos.
O diretor não precisa saber executar uma filmagem, por exemplo, mas precisa saber distinguir claramente os estilos de filmagem desejados ou adequados e dar suporte para que o executivo e o operacional consigam realizar.
Quando um administrador tem uma necessidade de mão de obra, ele vai priorizar, na maioria dos casos, o mais barato. O profissional de nível operacional.
Eis que surgem toda sorte de conflitos: discordâncias éticas, falta de capacidade operacional e conceitual, mas sobretudo, a mais problemática para a saúde da empresa em médio e longo prazo: a falta de visão global.
O posicionamento de mercado correto é a única maneira de se localizar e comunicar com um segmento. Trocar as competências de uma função específica em prol da economia faz com que o público veja lá na frente, uma empresa A, como B. Ou ainda, como uma empresa medíocre.
Portanto, cada macaco no seu galho.
Um abraço e boas criações.
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