Para que serve o Teatro?
A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte!
Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto
O Teatro, como sabemos todos, não faz revolução, não muda a sociedade, não ajuda a diminuir as doenças e a fome, não cassa os maus políticos, não destrói casamentos, etc. Apesar disso, o Teatro transforma o indivíduo e os grupos, ajuda no processo de construção da chamada consciência crítica, promove revoluções interiores e pessoais ainda mais localizadas.
Em uma escola, por exemplo, ele amplia a autoconfiança, alarga as possibilidades de entendimento e de interlocução, ajuda no processo de comunicação através da ampliação das possibilidades expressivas de cada um, ajuda no processo de formação de grupos, denuncia os maus políticos, os maus governantes e, fundamentalmente, humaniza, pela sensibilidade, o indivíduo.
Sensibilidade, o que é?
Chamamos sensibilidade ao conjunto de nossos sentimentos e sensações e modo como os experimentamos.
Nossa sensibilidade pode ser mais bruta ou mais elaborada. Podemos, entretanto,dizer que alguém não tem sensibilidade. Neste caso, nos referimos às pessoas que denominamos de “frias” e que, em geral, pensamos ser aquelas que fazem um uso mais assíduo da razão. Usamos a metáfora da frieza em oposição à outra bem conhecida, a que se refere ao calor dos sentimentos. Assim expressamos que sentimentos aproximam, enquanto a razão afasta; eles aconchegam, enquanto ela põe limites. O sentimento é, por sua vez, o mais íntimo de cada um, algo que não se pode comunicar, por isso, os artistas procuram “expressões” para eles. O esforço de compreensão dos sentimentos é sempre poético e intuitivo.
(...)
O que melhor resume a sensibilidade é que ela é uma capacidade de ter atenção às coisas, o modo como nos dispomos ao que não somos e não conhecemos. O uso da razão, a produção do pensamento, depende desse gesto inicial de disposição, que envolve silêncio, a boa passividade e a escuta. O esforço de cada um, de todos os seres que sentem e usam a razão (sejam profissionais das artes, da filosofia, ou não), deve ser o de reunir, estabelecer pontes, reintegrar as capacidades. Toda nossa relação com a natureza e com o outro – além da relação com nosso próprio corpo, nosso próprio eu - depende deste esforço de integração do que está separado.
Finalizo, deixando expresso que para desenvolver nossa sensibilidade em uma determinada direção começa em casa, depois na escola e, mais tarde, com os amigos.
Algumas pessoas erroneamente pensam que só as imagens graciosas e as músicas alegres são capazes de encantar as pessoas, mas isso não é verdade. Muitas vezes elas emocionam por serem fortes e violentas.
As cenas de medo de um filme de terror não são as que mais emocionam? Não são elas que nos fazem entrar no clima do filme e vivê-lo intensamente? Pois então, elas são belas. São artísticas.
Tais cenas nos emocionam não só pelo medo que causam, mas porque foram bem concebidas e despertam no público exatamente as emoções que seu atuor tinha a intenção de provocar.
Portanto, a sensibilidade depende – e muito - da habilidade de um artista em expressar uma idéia e despertar no próximo a emoção.
E o vídeo escolhido para ilustrar essa coluna, será uma cena do filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” repleta de sensibilidade.
Fontes:
- Texto de Alexandre Mate, professor do Instituto de Arte da UNESP e do Teatro-Escola Célia Helena.
- Texto de Márcia Tiburi, filósofa em artigo publicado pelo Jornal do Margs (Abril 2005 / Nº 106)
- Livro “Questões de Arte” – Cristina Costa
Com livres adaptações.
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