Retomando contato com meu texto eu percebo que preciso elaborar melhor algumas ideias, talvez a versão “definitiva” do ensaio demore a sair, e ganhe algumas páginas, de qualquer forma acho honesto continuar a publicação sem alterações:
“É
justamente quando o conceito Deus não consegue mais conter a
atividade e o comportamento humano, na igreja e fora dela, que se pensa
em Deus independente da religião, e, também, se pensa na morte
de Deus. Essa questão é de extrema importância, pois hoje é com extrema
facilidade que Deus, religião e Igreja são vistos de forma dissociada, ao
passo que toda a civilização ocidental foi construída sob os preceitos
indissociáveis judaico-cristãos.
É a dissociação recente
entre Deus e religião que garante sobrevida ao conceito Deus.
Mais que qualquer pormenor levantado, a bíblia é um manual de conduta, e é isso
que o Homem procura: regras determinadas, critérios, bom senso, para nortear
suas atitudes. E, não obstante, o Homem encontra conforto na certeza de um Uno
ao qual faz parte. É, por conseguinte, a força motriz para a crescente geração
de novas religiões contemporâneas, cristãs ou não. Fica mais fácil ao Homem
conceber que a humanidade falhou ao apreenderDeus do que simplesmente eliminar
o conceito divino em decorrência dos atos humanos. Fica mais fácil dizer-se que
a bíblia não tem necessariamente mais validade uma vez que foi escrita por
homens. É melhor tirar a responsabilidade de Deus e coloca-la sobre
os ombros de pessoas que já morreram, e que, por conseguinte, não vão reclamar.
Se Deus não faz mais parte de uma conjuntura violenta ele perde a
carga negativa que lhe foi atribuída e, finalmente, se torna “livre”. A partir
de então Deus se descola da religião, e da cultura humana mesmo tendo
“criado” o Homem. É curioso que esse “descolamento” fora antecipado na própria
bíblia, quando Jesus indaga “ó pai, porque me abandonaste?”.
O Homem esqueceu Auschwitz, por mais
absurdo que isto pode parecer. As centenas de milhares de pessoas que foram
mortas se tornaram dados para estatística. É só pensar que mesmo após Auschwitz
o Homem foi capaz de destruir as Torres Gêmeas com todos os inocentes dentro
(não sejamos ingênuos a ponto de achar que aquilo foi simplesmente um ato
terrorista islâmico, portanto oriental somente). É impressionante como a
violência faz parte do quotidiano atual, totalmente banalizada e acéptica. O
entretenimento é capaz de gerar extremos catárticos violentos
porno-feitichizados para todos os gostos; e novamente caímos na questão
comunicativa: após coisas como bucake, snuff, filmes ultra-violentos, entre
outras produções as quais não cabe ao autor julgar como boas ou más, mas que
aos olhos da moral e bons costumes cristãs são condenáveis,
onde está vértice Deus?
Continua, fechando a santíssima trindade.
Continua, fechando a santíssima trindade.
Bruno Corrente é um frustrado ateu.
1 comentários:
Ta bonito.
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