21 de agosto de 2012

Deus está vivo, parte 2 – O retorno



Retomando contato com meu texto eu percebo que preciso elaborar melhor algumas ideias, talvez a versão “definitiva” do ensaio demore a sair, e ganhe algumas páginas, de qualquer forma acho honesto continuar a publicação sem alterações:
“É justamente quando o conceito Deus não consegue mais conter a atividade e o comportamento humano, na igreja e fora dela, que se pensa em Deus independente da religião, e, também, se pensa na morte de Deus. Essa questão é de extrema importância, pois hoje é com extrema facilidade que Deus, religião e Igreja são vistos de forma dissociada, ao passo que toda a civilização ocidental foi construída sob os preceitos indissociáveis judaico-cristãos.
            É a dissociação recente entre Deus e religião que garante sobrevida ao conceito Deus. Mais que qualquer pormenor levantado, a bíblia é um manual de conduta, e é isso que o Homem procura: regras determinadas, critérios, bom senso, para nortear suas atitudes. E, não obstante, o Homem encontra conforto na certeza de um Uno ao qual faz parte. É, por conseguinte, a força motriz para a crescente geração de novas religiões contemporâneas, cristãs ou não. Fica mais fácil ao Homem conceber que a humanidade falhou ao apreenderDeus do que simplesmente eliminar o conceito divino em decorrência dos atos humanos. Fica mais fácil dizer-se que a bíblia não tem necessariamente mais validade uma vez que foi escrita por homens. É melhor tirar a responsabilidade de Deus e coloca-la sobre os ombros de pessoas que já morreram, e que, por conseguinte, não vão reclamar. Se Deus não faz mais parte de uma conjuntura violenta ele perde a carga negativa que lhe foi atribuída e, finalmente, se torna “livre”. A partir de então Deus se descola da religião, e da cultura humana mesmo tendo “criado” o Homem. É curioso que esse “descolamento” fora antecipado na própria bíblia, quando Jesus indaga “ó pai, porque me abandonaste?”.
            O Homem esqueceu Auschwitz, por mais absurdo que isto pode parecer. As centenas de milhares de pessoas que foram mortas se tornaram dados para estatística. É só pensar que mesmo após Auschwitz o Homem foi capaz de destruir as Torres Gêmeas com todos os inocentes dentro (não sejamos ingênuos a ponto de achar que aquilo foi simplesmente um ato terrorista islâmico, portanto oriental somente). É impressionante como a violência faz parte do quotidiano atual, totalmente banalizada e acéptica. O entretenimento é capaz de gerar extremos catárticos violentos porno-feitichizados para todos os gostos; e novamente caímos na questão comunicativa: após coisas como bucake, snuff, filmes ultra-violentos, entre outras produções as quais não cabe ao autor julgar como boas ou más, mas que aos olhos da moral e bons costumes cristãs são condenáveis, onde está vértice Deus?

            Continua, fechando a santíssima trindade.
            Bruno Corrente é um frustrado ateu.

           



1 comentários:

Unknown disse...

Ta bonito.

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