Assisti dias atrás, o tão falado The Dark Knight Rises, e realmente teria sido um momento orgasticamente nerd, se não fosse a companhia de centenas de pessoas comendo pipoca, falando desvairadamente e celulares reluzentes, atualizando as mídias sociais de cada novo momento do filme. Este filme deu nova relevância para o primeiro da trilogia, como se fosse o terceiro ato de uma ópera, fechando bem e nos dando a impressão de se tratar de um único filme, dividido em três partes. Mas não estou aqui para falar desse filme, nem fazer uma resenha ou crítica sobre o mesmo. Para isso, existe o Omelete, Jovem Nerd, Cinema com Rapadura, Contraversão, Pipoca e Nanquim, Melhores do Mundo e tantos outros sites, podcasts, videocasts, etc. Estou aqui para falar da Indústria Cultural e do papel desses filmes dentro dela, e para isso, vamos ter que revisitar todo o cenário que antecedeu Os Vingadores e TDKR.
Trailer de The Dark Knight Rises
A relevância de filmes como TDKR e The Avengers no cinema atual, nos demonstra
o quanto a cultura pop ganhou importância e mercado, muito devido à internet,
mídias sociais e ao fato de que grande parte do público desse tipo de produto
está maduro, e levando seus filhos e até netos, para “conhecer” os personagens
queridos de sua infância; anabolizados, ideológica e politicamente corretos em
seu tratamento cinematográfico. Acho engraçado ouvir tantos adolescentes
achando o máximo um personagem como Tony Stark, que não seria nada sem o seu
intérprete, Robert Downey Jr. Até pouco tempo atrás, o Invencível Homem de
Ferro, não passava de um personagem do segundo escalão da Marvel, mas que vem
ganhando um destaque cada vez maior, e transformando sua contraparte
quadrinística em uma versão mais próxima da que vemos nos filmes.
Trailer de Iron Man
Outro ponto que podemos avaliar, é justamente a construção de uma estrutura e
de público para o fenômeno que se tornou o The Avengers, em contrapartida à
visão particular e isolada de um diretor sobre o que seria um mundo mais
próximo da realidade, mas com super-heróis, como é o caso da trilogia Batman e
Christopher Nolan.
Você me pergunta: “Porque construção?”. Muito simples, pequeno gafanhoto!
Quem vem acompanhando todo o processo da Marvel Studios, desde que no início dos anos dois mil e sua reaquisição
dos direitos de filmagem dos seus personagens, o lançamento sequencial de seus
filmes, a inserção de pequenos eventos de ligação entre os filmes e seus
universos particulares, até o apoteótico lançamento de Os Vingadores, percebeu
facilmente esses elementos, mas nem todos perceberam que o estúdio pretendia
alcançar um público muito maior do que os fãs de quadrinhos, e que a construção
deste público vinha exatamente das diversas visões e dos diferentes personagens
e suas características particulares, juntando os públicos de todos os filmes em
um único. Uma pessoa que gostou do filme do Hulk, não necessariamente iria
gostar do filme do Capitão América, enquanto o clima “pipocão” dos filmes do
Homem de Ferro (muito devido ao seu protagonista e ao tom que ele deu ao
personagem) abraçava todos os tipos de público, mas que procuravam
essencialmente a diversão. Podemos observar claramente a preocupação que a
Marvel Studios tem, não somente em gerar lucros através do filme, mas servir de
porta de entrada para os quadrinhos. A história de Os Vingadores se baseia
justamente no primeiro arco de Os Supremos, os Vingadores do Universo Ultimate,
universo criado exatamente para modernizar os personagens do universo
tradicional da Marvel; o 616. Se quiser verificar a veracidade dessas fatos,
mas não quer ler os quadrinhos, saiu uma animação também chamada de Os Supremos, contando
exatamente o arco inicial dessas histórias e procure as similaridades.
Lista de Filmes da Marvel Studios
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Nome
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Ano de Estréia
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Duração aproximada
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Hulk
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2003
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138 min.
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Homem de Ferro
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2008
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126 min.
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O Incrível Hulk
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2008
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110 min.
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Homem de Ferro 2
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2010
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117 min.
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Thor
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2011
|
128 min.
|
Capitão América: O Primeiro Vingador
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2011
|
125 min.
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Os Vingadores
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2012
|
142 min.
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Fonte: IMDb
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No caso do Batman, podemos dizer que é um caso isolado, exatamente porque os
personagens da DC Comics não tiveram uma estrutura criada, interligando-os em
um único universo, mesmo tendo a Time-Warner como dona de todos os direitos e
da própria DC Comics. É uma pena, visto que o primeiro grande filme que nos
fizeram acreditar que poderíamos ver nossos heróis pulando e voando pelas
telas, foi justamente o filme Superman de 1978, com
Christopher Reeve. Este primeiro filme, criou a possibilidade, mas foi seguido
de filmes com a qualidade decrescente (o ainda ótimo Superman II, o ruinzinho Superman III e o sofrível
e capenga Superman IV),
fazendo os estúdios desacreditarem na possibilidade de fazer filmes sérios
sobre o tema, relegando os super-heróis à produções de qualidade e orçamentos
pífios, roteiros infantis, entre outros deméritos, como os desastrosos filmes
do Quarteto Fantástico
(o de 1994, e não o de 2005), Nick Fury, de 1998, e o da Liga da Justiça, feito
diretamente para televisão, em 1997 (houveram outros antes, como o Dr. Strange,
de 1978, que sequer merecia a menção, mas se quiser arriscar, clique aqui).
Mas, mesmo diante desses desastres houveram Batman, de 1989, e Batman Returns, de 1992,
do diretor Tim Burton. Um Batman de armadura, assustador, em uma Gotham City sombria,
explosões, Coringa, Batmóvel, Batwing... Tudo o que um fã dos quadrinhos esperava e muito mais. Tim Burton ressuscitou o
nosso desejo de ver nossos heróis na telona e com um dos personagens mais
amados. Como muitos que gostam do personagem, eu adoro o filme do Tim Burton e
sua sequência (mandei a parcialidade ir dar um rolê...), mas devo admitir que
está muito mais para a visão de Tim Burton sobre o personagem, do que o
personagem propriamente dito. A escolha do diretor para os papéis principais do
filme (Michael Keaton como Batman e Jack Nicholson como Coringa) foram
controversas na época (e, para muitos, são até hoje), mas que funcionaram. Sem
dúvida alguma, um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos, e que
apesar da trilogia recém-terminada do Nolan, os dois filmes do Tim Burton continuam
sendo excelentes filmes, referências para os quadrinhos e para a nova franquia
também, além de reapresentarem para nós o Cavaleiro das Trevas, como Neal Adams
nos mostrou na década de 1970, depois da “queimada de filme”
do seriado dos anos 1960. Mas Tim Burton saiu da franquia, dando lugar a Joel
Schumacher, e junto a ele, um novo declínio dos filmes de super-heróis. Eu
prometi a mim mesmo esquecer esses filmes, jogos e qualquer coisa relacionada a
este senhor. Por isso, na nossa terceira parte sobre O Cinema e a Indústria
Cultural (como tudo que está na moda, tem que ser uma trilogia), vamos falar sobre a ascensão dos filmes de super-heróis e seu papel
dentro da Indústria Cinematográfica e como isso serve à Indústria Cultural.
See ya!
3 comentários:
Ja reparou que o Coringa do Heath Ledger é uma versão alucinada da atuação do Jack Nicholson, quase caricata?
Eu não vejo dessa forma, Lucas. Jack Nicholson foi Jack Nicholson, enquanto Heath Ledger criou um Coringa muito particular. Se compararmos com as outras mídias, o Coringa do desenho animado do Batman é o mais próximo dos quadrinhos e o do Ledger ficou no meio termo entre os dois. Ainda acho que o Coringa definitivo é o do Piada Mortal.
Boa noite. O Título do post diz "Os Super-Heróis no Cinema e a Indústria Cultural - Parte 2", e, no entanto, apesar de buscar, não consegui encontrar a parte 1. Agradeceria se pudesse colar aqui o link da mesma.
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