Pra fechar, sacramentar a ressurreição no terceiro dia, o último post do ensaio. Percebo que retomarei este ensaio, prolongarei, e complementarei. Tem alguns conceitos mal exibidos e mal formulados, mas minha intenção era justamente republicar o original. Boa leitura, amém.
“Na comunicação social em rede, torna-se ainda pior a questão da alienação já tão trabalhada durante o cristianismo. Tudo pode ser feito e tudo já está previsto. Sem um ponto de convergência único o Homem se perde com o livre arbítrio, portanto se reforça a necessidade da existência de Deus, agora não como vórtice de uma pirâmide comunicacional, mas sim como ponto de apoio humano confortável e irracional, alheio a todo o sistema, como se pertencesse à outra dimensão comunicativa. Este novo conceito de Deus é mais flexível e erudito, trazendo para si argumentos de novas correntes filosóficas e novas abordagens a fim de se tornar menos falho, mais acolhedor, e, ao mesmo tempo totalmente descompromissado. O relacionamento homossexual, a separação de casais, a violação do próprio corpo por motivos estéticos, entre outras coisas tão comuns e normaisao Homem, mas condenadas e deturpadas pela Igreja, passam a ser aceitas por Deus, uma vez que o conceitoDeus se torna mutável e não segue necessariamente a bula bíblica. Reforça-se o fato de que o autor não julga as atividades humanas mencionadas, mas as coloca perante o possível julgamento histórico-cristão.
Essa nova concepção de Deus vai tomar como referência para a sua construção o conceito anterior mais próximo, o conceito cristão. Ele então flexibiliza e repercute questões positivas como o amor ao próximo e a vida após a morte e torna obscuro ou elimina questões negativas como a punição pelos pecados e o inferno. Se a violência humana é prova do da incapacidade de amor ao próximo, a culpa não é mais divina, mas sim humana, porque a semelhança entre Homem e Deus não existe como antes, tudo faz parte de um contexto que é preferivelmente inexplicável por preceito. Pode-se dizer que se criou um Deus pós-cristão, uma vez que ele se apropria de conceitos cristãos interessantes e se expande para outros horizontes os quais o conceito anterior de Deus não chegava, da mesma forma que perde toda a responsabilidade pelo que foi atribuído ao conceito de Deus anterior.
Chega-se à conclusão da intrínseca condição humana em se apoiar na existência de um ser superior para fundamentar a sua própria existência. Sua existência é independente de qualquer atrocidade que possa ser feita (e muitas vezes fundamentada pela necessidade de afastamento dessas atrocidades), por maior desenvolvimento que o conhecimento humano possa ter alcançado, tendo como maior expoente até então a idéia cristã de Deus; que ainda se encontra em atividade, se dissipando na cultura contemporânea. Numa relação arquetípica de herói e anti-herói, ego e alter-ego, se o Homem matar Deus ele mata a si próprio, pois perde seu interlocutor, perde sua referência, sua imagem espelhada tão narcisista. É cômodo Deus estar vivo, e, portanto Ele está.”
Bruno Corrente é um frustrado.
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